24/03/2026
Medicina de precisão no câncer digestivo: o que isso realmente significa para o paciente

Receber o diagnóstico de um câncer digestivo costuma virar a chave da vida de um paciente de uma hora para outra. No meu consultório, eu vejo isso o tempo todo. A pessoa entra com exames, laudos, medo, pressa e, quase sempre, uma pergunta muito direta: “Doutor, vou precisar operar?”

Às vezes, a resposta é sim. Mas a verdade é que, em oncologia, a pergunta principal não é essa. A pergunta certa é outra: operar agora faz sentido para este paciente, neste momento, e com qual objetivo?

Na minha experiência, uma boa indicação cirúrgica começa justamente quando a gente consegue sair da ansiedade da pressa e voltar para o raciocínio. Porque a cirurgia não é indicada apenas porque existe um tumor. Ela é indicada quando existe lógica oncológica, segurança clínica e chance real de benefício para aquele caso.

A cirurgia não começa no centro cirúrgico

Muita gente imagina que a consulta com o cirurgião serve, basicamente, para marcar uma operação. Eu nunca enxerguei assim. Para mim, essa consulta serve antes de tudo para entender a doença por inteiro.

O primeiro passo é definir a extensão do problema. Saber o estágio muda tudo. Tamanho do tumor, envolvimento de linfonodos, presença ou não de doença à distância: isso não é detalhe técnico. Isso é o que separa uma cirurgia bem indicada de uma cirurgia feita na hora errada.

As evidências científicas atuais  destacam que o estadiamento ajuda a definir a extensão do câncer no corpo e orienta a escolha do tratamento. E isso, na prática, faz toda a diferença.

Nem toda cirurgia tem o mesmo objetivo

Outro ponto que eu sempre faço questão de explicar é que cirurgia oncológica não é uma coisa só. Existem situações em que a proposta é curativa. Em outras, a cirurgia entra como parte de um tratamento combinado. E há casos em que o objetivo é paliativo: aliviar sintomas, resolver uma obstrução, controlar sangramento, melhorar qualidade de vida.

Parece óbvio, mas isso muda completamente a conversa. Porque o paciente não precisa apenas saber se vai operar. Ele precisa entender por que vai operar.

O tumor importa. O paciente também.

No meu dia a dia, eu olho muito para a biologia do tumor, mas olho com o mesmo cuidado para a condição clínica da pessoa que está na minha frente. Estado nutricional, doenças associadas, reserva funcional, risco anestésico, capacidade de recuperação. Tudo isso pesa.

Às vezes, tecnicamente eu consigo operar. Mas isso não basta. A questão não é só “dá para fazer?”. A questão é: vale a pena fazer agora, desse jeito, para esse paciente?

As diretrizes da National Comprehensive Cancer Network (NCCN), para pacientes com câncer de algum órgão do aparelho digestive, área que atuo, deixam claro que o desempenho clínico do paciente influencia as opções terapêuticas. Na prática, isso vale para toda a cirurgia oncológica de algta complexidade.

Decidir bem também é saber não operar

Talvez esse seja um dos pontos mais difíceis de explicar fora da medicina, mas um dos mais importantes dentro dela: indicar cirurgia não é apenas saber operar. É saber quando operar, como operar, com que objetivo operar e, em alguns casos, saber não operar.

Na minha experiência, o paciente respeita muito mais o médico quando percebe que existe critério. Que a decisão não está sendo tomada por impulso. Que existe estratégia. E eu acho que é exatamente aí que mora a diferença entre uma conduta apressada e uma conduta realmente especializada.

Fechamento

Portanto, antes de indicar uma cirurgia, eu não avalio só um tumor. Eu avalio uma história, uma biologia, um corpo, um momento e uma oportunidade real de benefício.

É por isso que, em oncologia digestiva, a pressa nem sempre é sinônimo de acerto. Às vezes, o que mais protege o paciente é justamente a decisão bem pensada.

Se você recebeu um diagnóstico de câncer digestivo e quer entender com mais clareza se existe indicação cirúrgica, uma avaliação criteriosa do caso pode ajudar a organizar o caminho com mais segurança.

 

 

Sou o Dr. Marciano Anghinoni

Cirurgião oncológico com formação complementar focada no tratamento do câncer do aparelho digestivo, além de tumores do retroperitônio e das neoplasias peritoneais.

Atuo dentro de grupos de excelência no tratamento oncológico em Curitiba/PR.

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Como posso te ajudar?

O tratamento do câncer exige agilidade e uma abordagem individualizada.

Meu foco de atuação é o tratamento dos tumores do aparelho digestivo, peritônio e retroperitônio. Após uma consulta humanizada, cada caso é discutido em uma reunião multidisciplinar com vários especialistas, uma tendência mundial que se reflete em melhores resultados e maior chance de cura. Quando uma cirurgia é indicada, realizo os procedimentos por via laparotômica (cirurgia aberta), laparoscópica ou robótica, de acordo com o caso e a indicação. Faço parte de uma equipe de cirurgiões especialistas focados no tratamento do câncer digestivo, que atua nos melhores e mais conceituados hospitais de Curitiba.

Meu consultório fica em Curitiba no Centro de Oncologia do Paraná, local de fácil acesso e um dos mais bem conceituados centros de tratamentos oncológicos do Brasil.

Faço parte do corpo clínico dos principais hospitais de Curitiba, onde realizo cirurgias oncológicas do aparelho digestivo por via convencional, laparoscópica e robótica.

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